terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Do México ao MoMA

Finalmente, esse calor insuportável 'tá terminando... Foi um carnaval bem quente. E, graças à nova temperatura, um pouco mais amena, já consigo pôr meu cérebro pra funcionar. É que eu, simplesmente, não conseguia escrever nada de muito proveitoso enquanto meus neurônios iam se fundindo. Mas vamos ao que interessa:

Encontrei, neste feriadão, o que eu procurava há semanas: um som legal pra se escutar no computador ou no carro. Os créditos da vez vão para o álbum Contra, da banda Vampire Weekend, celebrada na revista Spin como a melhor de 2009. Ainda que pareça um tanto óbvio frente ao rock experimental dos anos 80, o grupo não faz feio, mesclando arranjos eletrônicos, guitarras, batidas tribais e música clássica (pasmem, tem até órgão).


Não reinventaram a roda; mas trouxeram algo de autêntico. Afinal, autenticidade é o mínimo que se pode esperar de uma coletânea inspirada em viagens pelo Caribe, visitas ao Museum of Modern Art e daí por diante. Outro destaque é a nova textura com a qual os garotos revestem instrumentos já desmistificados pelo gosto popular, ainda mais se lhes são adicionadas as doces notas de um xilofone...

100% ear-friendly!

- Imagem: divulgação.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"A explicação do enigma...

... é a repetição do enigma" (Clarice Lispector)

Fuçando nos meus livros, encontrei um pequeno volume verde, talvez cinza. Nada mais que um souvenir. Comprei no Museu da Língua Portuguesa depois de visitar a exposição em homenagem ao trigésimo aniversário de morte da genial autora de quem tomei as palavras emprestadas para iniciar o post. Quando me falta alguma inspiração, recorro a esse livreto, vasculhando entre os trechos destacados por tinta vermelha aquele que mais me agrada - "E descobri que não tenho um dia-a-dia. É uma vida-a-vida. E que a vida é sobrenatural".


Nas palavras da também escritora Nélida Piñon, "Cada dia para Clarice era um fardo cheio de esperança. Bastava tomar café, comer, saber de alguma boa intriga ou peripécia, para lhe nascer uma réstia de ilusão. Logo, porém, os olhos verdes, aflitos e intensos, pareciam transmitir a mensagem: tudo que vejo nesta sala me é familiar e monótono. Será que a vida não pode se renovar ao menos para surpreender-me?".

É uma postagem nonsense, bem sei. E é aqui que termina!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Royal Blood

Não, não me refiro à outra atração vampiresca. Trata-se, antes, da nova coletânea de fotos produzida por Erwin Olaf. O artista, de origem holandesa, popularizou-se devido a seus controversos editoriais, no qual predominam o humor e a ousadia, traços de um senso estético intrigante. É o caso da Royal Blood, coleção de obras inspirada em tragédias envolvendo a realeza. No exemplar abaixo, uma Lady Di mórbida, porém terna:


Vive l'avant-garde!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

The Fame Factory

A 52ª edição dos Grammy Awards foi, em apenas um adjetivo, eclética. Contou com a presença de grandes astros e, felizmente, houve espaço bastante para que todos oferecessem uma amostra de seu talento. A encarregada da abertura foi Lady Gaga, que executou, tenho certeza, uma de suas melhores performances: ao fundo, o ruído de um estranho maquinário e, pelo palco, vários bailarinos se encarregando de pôr uma fábrica em operação - tratava-se da "Indústria da Fama", de onde surgiu uma Gaga futurista cantando Poker Face. Logo em seguida, ela era rejeitada pelos dançantes operários e jogada em um tipo de caldeira (sim, pegando fogo!). Mas a ambiciosa intérprete não deixou por menos e ressurgiu toda suja de carvão ao piano; desta vez, acompanhada por ninguém menos que Elton John - juntos, cantaram um mix de Speechless e Your Song. O dueto gerou frenesi!


P!nk também encantou. Numa bela versão de Glitter in the Air, a popstar se rendeu às acrobacias e, num tecido (tradicional atração circense), rodopiou diversas vezes, com o corpo molhado, lançando gotas de água sobre a platéia... Simplesmente deslumbrante!

Bom, essas foram as melhores apresentações da noite. Mas também curti a homenagem ao Michael Jackson, o animado Bon Jovi e a galanteadora aparição de Andre Bocelli. Agora quem é que vai me explicar os prêmios concedidos a Taylor Swift? Poxa, a garota é boa compositora, super bonita (e sem-graça, diga-se), mas será que ela realmente mereceu o gramofone por Melhor Álbum do Ano? De qualquer forma, melhor assim - no mínimo, a cerimônia transcorreu sem repetecos do caso "Kanye West, VMA 2009".

Devido à interminável e bem trabalhada criatividade, parabéns, Gaga! E iguais congratulações vão para Beyoncé, que fez história ao conquistar, num único evento, 6 galardões.

Confira a lista dos vencedores aqui.

- Foto disponível no acervo Getty Images.